Obsolescência é um nome esquisito para dizer que alguma coisa ficou antiga e que perdeu a utilidade. Quando a obsolescência tem data marcada significa que ela foi programada, ou seja, alguém decidiu quando o produto deixará de ter utilidade. Você compra um produto, usa com todo cuidado, mas quem decidirá o momento de você comprar outro é a empresa que fabricou e vendeu para você.

Quando eu era criança, os eletrodomésticos de casa raramente eram trocados. Uma geladeira durava muitos anos. O mesmo acontecia com todos os equipamentos de que podíamos dispor como o fogão, a máquina de costura, o telefone (que na época era fixo, com fio e apenas um para a família toda). Algumas casas tinham até máquina de lavar, um luxo do qual não tivemos acesso naquela época.

Agora mudou. Estranhamente temos tecnologias mais avançadas e produtos que duram menos. Já reparou que os celulares não duram mais do que 2 anos? Será uma coincidência??? Claro que não. A conta não fecha. De acordo com especialistas, um celular poderia durar entre 12 e 15 anos se não fossem programados para darem problemas após atualizações obrigatórias.

O x da questão é que nós estamos sendo programados para achar isso tudo normal. Não é! E as administrações públicas em alguns países já estão se movimentando para combater essa prática. A França é um dos países pioneiros na Europa no combate a obsolescência programada. É necessário refletirmos sobre a situação pelo simples fato de que a produção de aparelhos tecnológicos faz uso de recursos naturais finitos e geram uma grande quantidade de resíduos difíceis de serem reaproveitados. Sem contar o dano econômico causado aos consumidores que cuidam bem de seus produtos e são obrigados a trocá-los sem necessidade. São prejuízos ambientais, sanitários e até mesmo econômicos. Sim, econômicos. O crescimento econômico mostrado no aumento constante das vendas não está considerando o custo para cuidar do descarte de baterias, materiais plásticos e demais resíduos que nem sempre tem uma destinação correta. Muitas vezes isso vai parar nos rios causando riscos de adoecimento generalizado.

Nossa sede de consumo tem nos deixados cegos para o que nosso “QUERER” tem causado. No Brasil, está em tramitação o Projeto de Lei nº 2833, de 2019, de autoria do Jean Paul Prates (PT/RN) que propõe alterar o Código de Defesa do Consumidor para definir como prática abusiva a redução artificial da durabilidade dos produtos ou do ciclo de vida de seus componentes, com o objetivo de torná-los obsoletos antes do prazo estimado de vida útil.

É um tema bem importante para que possamos refletir, conversar entre amigos, estabelecer um posicionamento e apoiar medidas em defesa do meio ambiente. Deixar de achar normal que as empresas decidam a vida útil dos bens que fabricam e vendem é um começo. Desenvolver uma consciência de consumo também ajuda muito. Se cada um assumir sua parte, a vida seguirá mais leve!

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