Sou de Governador Valadares – MG, uma cidade com grande conexão imigratória com os Estados Unidos. A comparação entre a vida que se leva no Brasil e nos Estados Unidos é comum e constante por aqui. Muitas vezes eu ouvi dizer que aquilo que nos diferencia dos norte-americanos são os colonizadores. Enquanto nós fomos colonizados por portugueses, eles foram colonizados por ingleses e esse seria um argumento utilizado para justificar o desenvolvimento deles e o nosso não-desenvolvimento.

 

Eu nunca vi coerência nessa forma de análise e depois que iniciei os estudos sobre Inteligência Sistêmica a incoerência ficou ainda mais evidente. Nessa semana, tomei contato com uma reportagem sobre o trabalho de Daron Acemoglu e James Robinson. Já tinha ouvido falar do trabalho do Acemoglu, que alguns apontam como um futuro ganhador de Prêmio Nobel em Economia, mas ainda não li seus livros.

De toda forma acho interessante trazer aqui o direcionamento apontado pela reportagem com base no trabalho de Acemoglu e Robinson, que se propõem a responder a pergunta:

 

“Por que alguns países prosperam e outros, não?”

 

Há quem responda que essa diferença econômica tem causas culturais, religiosas e geográficas. Outros apontam a existência ou não de recursos naturais como diferenciação para o desenvolvimento. E há quem acredite que exista uma relação estreita entre a colonização dos países como explicação para as diferenças econômicas, lembrando que essa é a teoria que sempre ouvi por aqui.

 

Acemoglu e Robinson discordam dos argumentos acima e os estudos realizados em Nogales demonstram alguns resultados interessantes que podem responder por que há diferença entre países pobres e países prósperos. Para contextualizar, Nogales é uma cidade na fronteira do México com os Estados Unidos. Metade da cidade fica em Sonora, México e a outra parte fica no Arizona, Estados Unidos. Em 1910, em função das tensões ocorridas na região, o Governo Mexicano ergueu cercas para definir a fronteira entre os países. As cercas seriam temporárias, mas com o agravamento dos conflitos, em 1918 ela se tornou permanente. Duas cidades com tantas semelhanças e diferenças trazem as circunstâncias adequadas para a escolha de Nogales como objeto de estudos dos pesquisadores.

 

Diante dos estudo e observações realizados, os pesquisadores descartaram a cultura e a religião como fator determinante para a diferença econômica. Ou, pelo menos, essa característica não poderia ser utilizada como explicação única. Uma vez que não existem diferenças culturais e religiosas significativas, esse fator não poderia ser determinante para a pobreza e/ou prosperidade. A localização também não pode ser determinante porque as duas cidades estão numa área muito similar em termos geográficos. Isso faz com que os recursos naturais disponíveis também sejam muito semelhantes nas duas cidades.

 

No aspecto recursos naturais, ampliando a visão, os estudiosos demonstram que Noruega e Arábia Saudita possuem ricas jazidas de petróleo. Entretanto, a primeira é muito desenvolvida economicamente enquanto a outra não usufrui das mesmas condições. De modo contrário, Japão e Coréia do Sul não possuem abundância em recursos naturais e são desenvolvidos economicamente.

 

Sobre a colonização, Acemoglu e Robinson encontram semelhança com o aspecto cultural. Dentro dessa perspectiva, associar a colonização anglo-saxônica ao desenvolvimento econômico existente nos Estados Unidos, na Austrália e na Nova Zelândia não seria coerente porque Serra Leoa e Zimbábue também foram colônias dos mesmos povos.

 

Mas então, o que esses estudiosos concluíram sobre a diferença entre países pobres e ricos? Para eles, a resposta está na estrutura das INTITUIÇÕES de cada lugar. Instituições que funcionam de forma reguladora e protetora de regras honestas e que geram confiança promovem desenvolvimento. Do lado oposto, instituições corruptas e que protegem o interesse de grupos específicos promovem a escassez.

 

O elo desse trabalho com a filosofia sistêmica de Bert Hellinger está numa definição dos autores ao diferenciarem as instituições de países prósperos e de países pobres. Para eles, as instituições de países pobres são EXTRATIVISTAS e BENEFICIAM UM PEQUENO GRUPO e as instituições de países ricos são INCLUSIVAS e BENEFICIAM A POPULAÇÃO EM GERAL. Ou seja, a exclusão empobrece e a inclusão enriquece.

 

De nada adianta um país ter uma certa origem étnica, uma determinada religião ou cultura, estar localizado num determinado continente ou ter recursos naturais abundantes se suas instituições não trabalharem pela INCLUSÃO e PROMOÇÃO DE OPORTUNIDADES DE CRESCIMENTO ao maior número possível de pessoas. A garantia institucional é essencial para geração de confiança e desenvolvimento econômico e social.

 

Indo um pouco além para juntar Acemoglu, Robinson e Hellinger, as instituições precisam ser INCLUSIVAS, respeitosas com a ORDEM e promover trocas em EQUILÍBRIO. Adivinha quem é responsável pela criação e manutenção dessas instituições? Eu e você! Isso mesmo. Vamos trabalhar porque tem muita coisa para ser feita.

 

Esse texto foi inspirado numa publicação da BBC, de David Edmonds, em 03/11/20

https://bbc.in/3p6wRUB

Importante: Este site faz uso de cookies que podem conter informações de rastreamento sobre os visitantes.