6 Variáveis Básicas da Administração

Depois que comecei a estudar o trabalho de Bert Hellinger passei a perceber a capacidade de conexão entre a INTELIGÊNCIA SISTÊMICA e os conhecimentos que obtive na área da ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

Para mim, foi extremamente relevante perceber que eu poderia utilizar os PRINCÍPIOS SISTÊMICOS de Hellinger em conjunto com as teorias de ADMINISTRAÇÃO. Não é uma coisa OU outra coisa. É uma coisa E outra coisa.

Lembrando que INTELIGÊNCIA SISTÊMICA é a capacidade de aplicar os princípios sistêmicos na vida cotidiana. No meu caso, trato especificamente de organizações públicas, mas de fato, algumas técnicas de administração não possuem diferença para aplicação no setor privado ou no setor público. Nesse caso utilizarei mais o termo administração deixando implícito que o raciocínio é o mesmo para a administração pública. Vou tratar aqui de 6 variáveis básicas da administração associadas ao conhecimento das 3 leis naturais de Bert Hellinger: PERTENCIMENTO, ORDEM E EQUILÍBRIO.

Então vamos lá…

A administração PERTENCE a uma ÁREA DE CONHECIMENTO que recebe CONTRIBUIÇÕES de DIVERSAS FONTES, formando DIFERENTES TEORIAS ao longo do tempo.

Cada teoria surgiu num PERÍODO propondo SOLUÇÕES  para os DESAFIOS enfrentados pelas organizações naquele contexto temporal.

Todas as teorias possuem VALOR e são APLICÁVEIS dentro de CONTEXTOS ESPECÍFICOS. A ADMINISTRAÇÃO possui uma natureza VARIÁVEL que se comporta de forma COMPLEXA e SISTÊMICA. Cada variável INFLUENCIA e é INFLUENCIADA o tempo todo.

Dentro dessa perspectiva, as TEORIAS da administração surgem para AUXILIAR na COMPREENSÃO do contexto e ORIENTAR nas DECISÕES organizacionais. As TEORIAS vão sendo ADAPTADAS de acordo com a MUDANÇA dos CONTEXTOS.

As 6 VARIÁVEIS da administração possuem ÊNFASES dadas em cada fase. São elas:

  • TAREFAS: É o foco das teorias que colocam ênfase na racionalização e no planejamento de atividades operacionais. Exemplo de teoria com essa ênfase: Administração Científica (1903).

  • ESTRUTURA: É o foco das teorias que colocam ênfase na estrutura e configuração das organizações. Exemplos: Teoria da Burocracia (1909) e Teoria Clássica (1916).

  • PESSOAS: É o foco das teorias que colocam ênfase nas pessoas e suas atividades dentro da organização. Exemplos: Teoria das Relações Humanas (1932) e Teoria Comportamental (1957).

  • TECNOLOGIA: É o foco das teorias que colocam ênfase na utilização da tecnologia dentro das organizações. Exemplo: Teoria da Contingência (1972).

  • AMBIENTE: É o foco das teorias que colocam ênfase na adequação das organizações ao contexto externo. Exemplos: Teoria dos Sistemas (1951) e Teoria da Contingência (1972).

  • COMPETITIVIDADE: É o foco das teorias que colocam ênfase na capacidade de uma organização oferecer produtos e serviços melhores, mais baratos e mais adequados às necessidades e expectativas do mercado. Exemplo: Teoria das Novas Abordagens (1990).

As variáveis existentes terminam aqui. Mas uma OUTRA variável pode SURGIR… até porque o que ela enfatizaria faz parte da ESSÊNCIA HUMANA e focar nela pode PROPORCIONAR GANHOS sistêmicos para o PLANETA E SEUS HABITANTES. Existem muitas pessoas TRABALHANDO para que ela se torne uma REALIDADE na ADMINISTRAÇÃO. A sétima variável seria (será):

  • COLABORAÇÃO: O foco de uma TEORIA CRIADA a partir da CRISE SANITÁRIA GLOBAL provocada pelo COVID-19. Os GOVERNOS e ORGANISMOS INTERNACIONAIS se uniram para traçar ESTRATÉGIAS de COOPERAÇÃO INTERNACIONAL para questões HUMANAS ESSENCIAIS. Essa TEORIA CRIADA abarca as TEORIAS ANTERIORES e lança um olhar INCLUSIVO, ORDENADO e EQUILIBRADO para as PESSOAS em seus SISTEMAS.

Que se torne real!

 

Referências bibliográficas:

MAXIMIANO, Amaru. Teoria Geral da Administração. Atlas, 2012

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a Teoria Geral da Administração. Elsevier, 2004

A administração pública que temos

Qual é a administração pública que temos? Temos uma administração pública em transição, que se transforma a cada dia. Nosso histórico em administração pública abarca uma cultura de separação entre os agentes públicos e os contribuintes, com pouco ou nenhum controle social, mas isso está mudando aos poucos.

A administração pública brasileira passa por momentos complexos envolvendo as questões econômicas e sociais, assuntos políticos que são constantemente polarizados, debates sobre reformas e pautas complexas que tramitam no Congresso, assuntos sanitários, temas ambientais que envolvem a Amazônia e a sustentabilidade, problemas de toda ordem enfrentados pelos nossos vizinhos sul-americanos que incluem emigração em massa para o Brasil, julgamentos importantes no Superior Tribunal Federal – STF e no Superior Tribunal de Justiça – STJ, dentre outras relevâncias.

As reportagens sobre corrupção e desvios de recursos públicos formam manchetes que bombardeiam os cidadãos diariamente em todos os canais de comunicação e culminam num abalo da confiança tão necessária para o avanço da sociedade. Em tempos de polarização, muitos não se sentem representados por quem está no comando da administração pública, que não raramente, perde-se no seu propósito de servir à sociedade.

A complexidade das questões públicas demanda a união de esforços coletivos dos diversos setores que compõem a sociedade. É ilusão acreditar que há uma pessoa (ou grupo) que tem o poder e a chave para resolver todos os conflitos. Não há uma única pessoa assim como não há uma única solução para tudo. Há um conjunto de pessoas que podem empreender um conjunto de ações colaborativas para cada contexto.

Destaca-se que essa colaboração conjunta precisa ser baseada em ações transparentes que permitam o crescimento da confiança mútua. O uso de modernas técnicas de administração que promovam a reestruturação da máquina pública aliado ao investimento em tecnologias e desenvolvimento humano são necessidades urgentes para enfrentar o contexto atual. É impossível começar do zero, visto que já existe um sistema consolidado e em funcionamento. Honrar aquilo que foi feito e reconhecer os esforços empreendidos demonstra respeito com quem dedicou seu tempo para fazer o que foi possível em tempos anteriores. Acolher os erros do passado e aprender com eles é uma postura sábia. Se agora é necessário inovar, que as mudanças aconteçam sem desqualificar o passado e as pessoas que lá estiveram. Pelo contrário, fazer do passado uma escola que nos impulsione e dê forças.

A tecnologia digital está trazendo transformações em escala global e o papel dos diversos atores sociais, em especial os agentes públicos e contribuintes está sendo remodelado. Qual é o lugar de cada um no sistema da administração pública? Não se pretende aqui enumerar as técnicas de administração sobre O QUE deve ser feito. Entretanto, pode-se demonstrar COMO utilizar habilidades de relacionamento para atingir os objetivos pretendidos coletivamente.

O aumento populacional aliado ao estilo de vida adotado pela humanidade está dificultando a harmonia nos relacionamentos e talvez por isso, vejamos tantas pessoas interessadas em estudar para compreender  a si mesmas e os demais. Por estarmos imersos num grande campo de relacionamento, e essa premissa é válida também para a administração pública, melhores relacionamentos significam melhor qualidade de vida.

Destaca-se ainda que a administração pública brasileira é fragmentada e carente de conexão e comunicação intersetorial. Apesar de possuir uma hierarquia bem definida, a dificuldade de flexibilização causada pela burocracia dificulta a resolução de problemas aparentemente simples. A transição democrática e a alternância de mandatos de quatro em quatro anos criaram uma cultura de planejamentos de curto prazo, isso quando existem na prática porque muitos municípios possuem carência de mão-de-obra tecnicamente preparada para as funções do executivo, legislativo e judiciário. Cada grupo que assume o comando tende a desconsiderar o trabalho anterior, principalmente em caso de descontinuidade partidária, fazendo com que as políticas públicas aparentem estar sempre em fase inicial de execução. Essa dinâmica ocorre num movimento do topo para a base hierárquica na pirâmide de poder e faz com que até os problemas rotineiros no contato agente público – cidadão pareçam sem solução.

Aponto que uma prática ainda vigente é a de uma população que confere poder ao agente público eleito através do voto e aguarda em casa que as transformações aconteçam e, caso não aconteçam, um possível acerto de contas fica para a próxima eleição. Ainda que o sistema dificulte a participação coletiva, que a concentração de poder na esfera da União dificulte a fiscalização, a postura de que somente um dos lados seja o polo ativo e tem o poder de provocar a mudança enquanto o outro está na esfera exclusiva da necessidade aguardando passivamente que algo aconteça desequilibra o sistema. A mudança passa pela procura de novas posturas centradas na autorresponsabilidade e no compromisso com o futuro coletivo. Sempre é hora de começar!