Meus estudos sistêmicos focados em Bert Hellinger possuem raízes no Instituto de Desenvolvimento Sistêmico para a Vida – IDESV. Para quem se interessar, basta procurar o instituto nas redes sociais que vai encontrar um vasto e rico material gratuito disponível. Alerto que o que está disponível é apenas uma amostra do sistema IDESV. A experiência de ser aluno de Décio&Wilma supera qualquer descrição que eu possa fazer dessa vivência. Recomendo, para quem se interessar pelo assunto (e puder), dar-se esse presente.

O início

Quando comecei a aprender sobre a fenomenologia e as Constelações Familiares foi por uma necessidade pessoal. Após a vida serenar na esfera pessoal, vi que o trabalho de Hellinger possui uma amplitude que supera o âmbito pessoal. Tanto é assim que existem trabalhos estruturados na saúde, na educação, na justiça e nas organizações apresentando resultados cada vez mais relevantes.

Aos poucos, fui percebendo que a filosofia inerente ao trabalho de Hellinger poderia ser aplicada em todos os contextos dos relacionamentos. Daí, passei a treinar meu olhar para ver sistemicamente as situações que surgiam: da leitura de notícias às decisões relativas ao meu trabalho, passando pela conversa casual enquanto subia pelo elevador.

Bases (SAA + livro) 

Ao participar do IX Seminário Anual de Alunos – SAA do IDESV, ocorrido em outubro/2019 em Águas de Lindóia – SP, a minha percepção se ampliou ainda mais. Nesse evento vi pela primeira vez, de forma consistente, a aplicação do termo Inteligência Sistêmica. Esse foi o tema do seminário de 2019, inclusive com o lançamento do livro “Inteligência Sistêmica – como ela pode te ajudar a ter mais sucesso e felicidade”, disponível na Amazon.

A vivência no seminário e a leitura do livro foram determinantes para que eu conseguisse estabelecer melhores conexões com o conteúdo que eu já vinha acumulando, agora de uma forma direcionada para a administração pública. A Inteligência Sistêmica veio para dar coerência a um trabalho que eu já vinha fazendo, mas sem uma linha de direção consistente.

Já no prefácio do livro, o Professor Décio de Oliveira afirma que a adaptação do contexto das Constelações e seus princípios para outros âmbitos merece um novo nome, um nome que seja capaz de abranger um conjunto de visões e ferramentas criando um novo paradigma:

“Esse paradigma, na verdade, nos ensina, de uma forma bem simples, a desenvolvermos nossa inteligência social para os relacionamentos, aquilo que nós aqui passaremos a chamar de Inteligência Sistêmica, como um novo conceito para a apreensão desses princípios e aplicação destes dentro dos mais diversos e amplos contextos possíveis.”

Devagar, fui compreendendo que o uso da Inteligência Sistêmica era a chave para o outro olhar que eu pretendia lançar sobre a administração pública. Quando dediquei mais tempo às leituras que pudessem me dar um embasamento maior para formular ideias, tive a alegria de ler Coaching Sistêmico, de Jan Jacob Stam & Bibi Schreuder, publicado pela Editora Atman. Na página 9 desse livro encontrei mais um ótimo direcionamento:

“Com o termo inteligência sistêmica, referimo-nos à capacidade de aplicar os princípios sistêmicos em sua vida cotidiana, como no modo de falar com seus filhos ou vizinhos, no modo como apresenta uma queixa, etc.”

Simples e fácil?

A simplicidade é inegável, mas isso não quer dizer que seja fácil. Ao longo da vida fazemos parte de uns 20 sistemas e em cada um deles nos comportamos de certa maneira. Precisamos lembrar ainda que há um efeito recíproco em todos os nossos relacionamentos. Fazer ou deixar de fazer qualquer coisa atua sobre os outros e atua sobre nós de forma dinâmica e reflexiva. Marianne Franke, em Você é um de nós, p. 86, cita Mudelung, 1996, p. 55-56b):

“A abordagem sistêmica foca principalmente no contexto relacional um poder ou um fluido que atua entre as pessoas, quer isso seja ou não expresso pela comunicação verbal ou não verbal. (…) Cada pessoa está numa relação recíproca de modos múltiplos com seu meio ambiente. (…) Cada mudança em algum lugar dá origem a uma mudança no todo”.

Essa rede de influência mútua, apesar de facilmente observável, faz com que todos os movimentos internos e externos gerem efeitos com os quais temos que lidar. Isso exige de nós uma atenção plena no presente de modo que possamos alterar nossa postura para obter relacionamentos mais harmônicos. É simples, mas nossa tendência humana de sair do momento presente e de “cair” em estórias internas dificulta bastante a tarefa.

5 Posturas da Inteligência Sistêmica

Aponto 5 posturas saudáveis que podemos utilizar no cotidiano diante de questões para as quais queremos olhar amplamente:

1. Focar na solução possível;

2. Manter-se aberto ao que envolve a solução possível. Permitir-se não saber e acolher com sem julgamentos as perguntas que surgirem enquanto não obtiver as respostas necessárias;

3. Manter a calma. Apressar uma solução enfraquece o processo;

4. Estar plenamente no presente e observar o ambiente, os outros e principalmente, a si mesmo;

5. Fazer o que precisa, o que é necessário ser feito com coragem lembrando que o não-fazer consciente é uma ação.

 

 

 

 

 

 

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