A terceira Lei Natural que Bert Hellinger descobriu é o Equilíbrio. Não existe equilíbrio em relacionamentos onde impera a ordem. Por exemplo, não existe equilíbrio entre pais e filhos, pois aquilo que os pais dão aos filhos não pode ser compensado. Os pais dão vida aos filhos e os filhos não podem compensá-los de volta. A compensação, nesse caso, se dá com a sequência e geração de mais vida em direção ao futuro. O equilíbrio é uma Lei Natural baseada na necessidade humana de compensar as trocas. Para haver equilíbrio, cada pessoa precisa ser compensada de modo proporcional para o:

  • Mais: Pelo esforço / contribuição em favor do sistema;

  • Menos: Pelo dano / prejuízo causado ao sistema.

Na pág. 64 do livro A Fonte Não Precisa Perguntar Pelo Caminho, Bert explica o equilíbrio para aquilo que favorece:

“Essa necessidade possibilita o intercâmbio entre os membros de um sistema. Por estar vinculado a uma necessidade de pertencer, via de regra, se expressa assim: Se recebi algo de bom, tenho a necessidade de compensar. Mas porque me sinto pertencente e amo, dou um pouco mais do que recebi. Para o outro é  a mesma coisa, ele também dá um pouco mais e, assim, o intercâmbio cresce. “

 

Imagem: Adobe Spark

 

E desfavorece:

“Mas essa necessidade de compensação tem também um lado negativo: se alguém me faz algo de mau, tenho a necessidade também de fazer-lhe algo de mau. E porque me sinto com razão, faço, via de regra, algo um pouco pior do que ele me fez. Então, ele se sente também com razão, e volta a me fazer algo de mau e, assim, aumenta o intercâmbio no mau.”

 

É importante salientar que Bert aponta, no livro citado acima, que muitas guerras entre povos tem a ver com essa necessidade de vingança. Quando o relacionamento é importante e, existe amor, a compensação negativa pode se tornar positiva se quem for compensar, amenizar um pouco o mal que recebeu. Desta forma, o intercâmbio não será vingativo. Outra maneira de compensar um ato considerado mau, é fazer algo de positivo para “pagar” o dano causado. Esse “pagamento” precisa ser aceito pela pessoa ofendida para que o assunto seja encerrado e a vida siga em frente.

Na administração pública

Como servidora, as queixas que mais ouço possuem relação de que os contribuintes se sentem prejudicados por estarem sujeitos a uma carga tributária elevada e não perceberem o retorno do dinheiro entregue ao governo em forma de bem-estar coletivo. É comum que a associação imediata para essa queixa recaia sobre a corrupção e é claro que o desvio do dinheiro público impede que os recursos cheguem para a saúde, educação, saneamento e demais finalidades coletivas. Entretanto, o mau uso do dinheiro público por negligência, imprudência ou imperícia na administração também fere a lei do equilíbrio.

 

 

Esse tema surgiu numa conversa recente com um amigo que é psicólogo e comentamos o quanto somos passivos, pelo menos de forma geral. Nós (brasileiros) nos manifestamos apenas em circunstâncias excepcionais. No cotidiano há mais reclamação do que ações efetivas para exercer a cidadania diante do que discordamos na administração pública.

Nesse ponto que meu amigo me apresentou a um termo que não conhecia: “ignorância pluralística”. Aprendi que esse termo foi utilizado inicialmente pelo norte-americano Floyd Alport em 1924 para designar comportamentos em que um cidadão age de acordo com aquilo que os outros pensam e não conforme ele acha correto. O pensamento básico nessas situações é “se ninguém está fazendo nada, por que eu tenho que fazer”? Qualquer semelhança com a necessidade de pertencimento relatada em texto anterior não é mera coincidência. Encontrei uma matéria interessante sobre o assunto no site do Senado, caso se interesse, clique aqui. Ver nossos comportamentos como cidadãos por diferentes perspectivas pode nos ajudar no treinamento de posturas que sejam mais voltadas para a autorresponsabilidade.

Transcrevo abaixo, matéria de 2017 publicada no site do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação – IBPT que continua atual:

 

“Brasil é o País que proporciona pior retorno em serviços públicos à sociedade

Pelo sexto ano consecutivo, o Brasil é o país com pior retorno à população nas esferas federal, estadual e municipal, quando comparado aos 30 países que possuem as maiores cargas tributárias do mundo, em relação às áreas de saúde, educação e segurança. Os dados são do estudo realizado neste ano pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

O estudo “Carga Tributária/PIB x IDH – Cálculo do Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade – IRBES”, concluído no mês de março, leva em consideração a carga tributária em relação ao PIB, ou seja, toda a riqueza produzida no País, e o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que mede a qualidade de vida da população.

O destaque desta edição é a Suíça, que no último estudo figurava em quarto lugar e agora aparece na liderança, como o país que, mesmo com uma carga tributária não tão elevada, de (26,90%) consegue oferecer à população serviços públicos de qualidade. Já a Austrália que era líder do ranking, passou a ocupar a quarta posição, ficando atrás da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

O Brasil, mesmo com arrecadação altíssima (33,65% do PIB, em 2014 ), não consegue aplicar esses recursos de forma que a população tenha um melhor retorno desses valores, ficando atrás, inclusive, de países da América do Sul, como Uruguai e Argentina.

O levantamento aponta que, apesar de terem cargas tributárias muito próximas à do Brasil, no ano de 2014, a Espanha com (33,20%) ocupa a 12ª posição; a República Tcheca com (33,50%) assume a 15ª; e Grécia com (35,90%) que mesmo em 20º lugar, estão muito à frente do País no que se refere à aplicação de recursos em benefícios dos seus cidadãos.”

Algumas desordens observadas

Serviços públicos que mais recebem críticas, de acordo com avaliação da Confederação Nacional da Indústria – CNI, em 2016:

  • Postos de saúde e hospitais;

  • Segurança Pública;

  • Atendimento à população nas repartições públicas;

  • Conservação de ruas e avenidas;

  • Rodovias / estradas;

  • Transporte público.

O bom dinheiro

De onde vem o dinheiro que sustenta a administração pública? Quais são os caminhos que esse dinheiro percorre até chegar aos cofres públicos? E o caminho de volta? São perguntas que podem parecer sem sentido para algumas pessoas, mas elas podem esclarecer muito sobre o que acontece no sistema econômico de um determinado lugar. De acordo com Bert Hellinger, o dinheiro possui um dimensão espiritual, reagindo a justiça e injustiça. No livro Leis Sistêmicas na Assessoria Empresarial, pág. 100, Bert aponta com quem o dinheiro quer ficar:

“Quer ficar com aqueles que o ganharam honestamente, com o suor de seu trabalho. Quer voltar para aqueles que trabalharam duro para obtê-lo ou para aqueles que o receberam de outros com a condição de administrá-lo e multiplicá-lo honestamente, a serviço da vida.”

Outra perspectiva

Quantas vezes vemos o dinheiro público sendo desviado para finalidades particulares ou mal empregado por incompetência? Na pág. 105 do livro Leis Sistêmicas na Assessoria Empresarial Bert Hellinger demonstra a função do dinheiro:

“O dinheiro serve. Ele possui alma, não é uma coisa. Ele serve à vida. O dinheiro ganho com suor é o que mais serve a vida. (…) O dinheiro tem uma grande necessidade de servir. A necessidade mais profunda do dinheiro é que seja gasto e que sirvamos à vida com ele.”

Eu vejo assim, e você?