Imagem: Arquivo Pessoal

 

Quanto vale minha ideia (opinião/crítica/pensamento/julgamento) sobre a vida dos outros? Vale um emaranhamento. Uma ideia só tem valor se trouxer uma solução concreta. Se for algo que venha somar (MAIS), independente da “boa” intenção contida nela. Aposto que você sabe muito bem o nome do lugar que está cheio de boas intenções… pelo menos esse é um ditado popular conhecido.

E por sua vez, uma solução só tem valor se for utilizada para resolver um “problema”. Aí eu pergunto: do que adianta eu identificar um problema na vida dos outros sendo que o dono da questão não enxerga como eu ou não está interessado em modificar o próprio comportamento? Em se tratando de comportamento, é melhor usarmos nosso tempo tendo ideias (e as implementando) em nossa própria vida. Deixemos que os outros decidam por si mesmos. Em geral, sentamos sobre nossas facilidades e apontamos o dedo para as dificuldades alheias.

Demorei muito tempo para compreender o desrespeito contido num “Se eu fosse você”. Todas as vezes que digo “se eu fosse você” estou invadindo o espaço do outro, tirando dele um pouco de sua dignidade, desrespeitando-o. Ter uma opinião, julgar, censurar, criticar ou me portar como se eu fosse capaz de fazer melhor é um passo largo e firme para o insucesso. É como se a alma cobrasse caro pela postura inadequada. Esse é um comportamento insano porque o meu contexto de vida é completamente diferente do contexto de vida do outro. Agora imagina esse comportamento dentro de um sistema familiar…

Viver no mundinho do certo x errado, bom x mau, melhor x pior, bonito x feio, normal x esquisito e toda forma de dualidade, é muito estreito, pequeno, apertado. Bert Hellinger nos provoca no livro Um Lugar para os Excluídos, pág. 110:

A cegueira da consciência moral é a causa dos enredamentos.

Quando comecei a aprender sobre a filosofia sistêmica me veio uma imagem de “Se eu fosse você”, nela estou sentada sobre minhas facilidades apontando o dedo para os outros, com suas dificuldades. Vale destacar que a maioria esmagadora das facilidades que tenho não são por mérito próprio. Vou explicar melhor… Nasci porque meu pai chegou de viagem, minha mãe ficou feliz e eles resolveram comemorar relaxando um pouco. Como minha mãe estava entrando na menopausa, seria um momento de diversão e pronto. Só que não. Para minha sorte, estou aqui. Cresci com segurança, bem alimentada e estudei porque meus pais, irmãos e irmãs deram um duro danado pelo bem do nosso grupo. Gosto de ler porque sempre vi o papai lendo livrinhos de faroeste e se divertindo muito com eles. Dizem que sou atenciosa e vejo o quanto isso é da mamãe e eu só repito. Quando chego pontualmente a um compromisso sinto a presença dos meus pais nesse comportamento. Se me alegro pela oportunidade de viajar percebo o quanto sou parecida com os dois, que não recusavam uma viagem. Quando curto ficar em casa  tem a digital dos meus pais, duas pessoas sociáveis e que adoram ficar em casa (paradoxal, mas é assim… rsrsrsrs). Todos os elogios que porventura eu receba tem um link imediato com alguém do meu clã.

Sou o meu povo e criticá-lo é desfazer de mim mesma, me enfraquece e me desconecta da vida. Só estou aqui porque foi exatamente como deveria ter sido. Sou quem sou porque pertenço a esse grupo. Qualquer alteração mínima, mudaria grandemente aspectos que considero importante. Quando iniciei os estudos presenciais no IDESV, tinha me inscrito meio no impulso. Sentei perto da porta para que não chamasse a atenção caso eu resolvesse ir embora. Havia um grupo de mais de 40 pessoas (que depois se transformou em mais de 60) e nas apresentações iniciais me senti estranha, sem saber o que eu estava fazendo lá. Muitos colegas estavam movidos por suas profissões e eu estava lá por mim, meio sem convicção de que funcionaria, mas era isso. Externamente minha vida sempre foi boa e eu reconhecia isso, mas algo internamente estava pesado. Constantemente eu me sentia perdida e me questionava quem eu era no meio daquela vida.

Qual é a pergunta?

No IDESV aprendi muitas coisas e uma delas é sobre o valor de fazer as perguntas adequadas. Há tempos ficava inquieta com uma pergunta filosófica “quem eu sou?”, uma pergunta mais ligada ao pertencimento, entretanto, a lei sistêmica que eu mais transgredia era a ordem (diminuiu, mas ainda é assim). Então, a pergunta mais adequada neste caso seria “onde estou?”. Perceber dessa maneira virou uma chave interna que mudou muitas coisas. Eu posso saber que sou a Mara, filha do Paulo e da Zélia, e estar perdida no centro de uma grande cidade sem saber qual caminho eu devo seguir. Como a vida é sistêmica, a transformação em um aspecto vai reverberando em vários outros aspectos.

“Humilde é aquele que permanece dentro de seus limites”.

(Pensamento Sobre Deus, pág. 104, Editora Atman)

Olhando um pouco para trás

Tive a sorte de conhecer a Constelação Familiar através de gente do IDESV. Pensar em Décio&Wilma me traz um carinho enorme que expande o coração. São pessoas que me despertam a vontade de dar um abraço bem apertado. Gente que eu admiro, respeito e tenho carinho. O ambiente preparado por eles é sempre de acolhimento e cuidado. Para quem não sabe, lá tem a Sandra Helena e o abraço dela é grande e super bom. Eu brinco que a escala de abraço vai de 0 à #Sandrelena.

Ainda estou no IDESV (e não pretendo sair) e através deles achei o caminho de volta para mim. Ao voltar a me conectar com meus pais e com meu sistema pude ocupar meu lugar na ordem. O lugar sempre esteve lá, eu que o deixava constantemente vazio e carregava o vazio em mim. Sair do lugar me custou caro e uma parte disso não poderá ser recuperada, entretanto, é assim. Faz parte. Eu não conseguia ver, então dizer “Se eu eu fosse você” para mim mesma não vai alterar o que passou e ainda me fará perder as coisas boas que estão acontecendo agora. Estou preparada para fazer muito MAIS na VIDA!!! 

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