Concorda?

Você entra nos emaranhamentos de várias maneiras. E para sair deles? Simples. É como uma chave, a mesma que abre a porta para você entrar, abre para você sair.

Julgou? Reconheça o julgamento e pratique o sinto muito. Saiu da ordem? Baixe a bola e volte para o lugar seu lugar. Desequilibrou o dar e o tomar? Compense.

Buscar a constelação para encontrar um culpado é uma excelente alternativa para não resolver absolutamente nada. Do contrário, quem age com autorresponsabilidade, toma para si a imagem da constelação e se compromete com a vida é capaz de construir uma realidade diferente através de atitudes positivas (MAIS).

Nossa liberdade de agir pode ser comparada aos movimentos permitidos dentro de um avião. Alguns movimentos individuais são permitidos, mas existem limites.

Experimente discutir com a tripulação porque você não quer a comida servida a bordo num voo de 11 horas. Se quiser comer, bem. Se não quiser, fique com fome. Não é possível pedir o seu prato favorito por aquele aplicativo legal e mandar entregar, sabe?

Experimente sair do seu lugar quando o aviso de cintos afivelados estiver aceso. Experimente cantar sua música favorita bem alto enquanto a maioria dorme. Experimente falar o que pensa para “aquele” político ou juiz do STF que você não tolera e que está no mesmo voo que você. Experimente realizar movimentos que coloquem em risco a segurança do voo. Faça isso por sua conta e risco e não se espante se sair do avião preso e com um processo bem complicado para responder.

Se você observar bem, na vida não é muito diferente. Concorda que dói menos.

 

Visão Sistêmica na Administração Pública

Vamos falar sobre a visão sistêmica na administração pública? A administração pública é sistêmica embora muitas pessoas não percebam isso. Basta ler qualquer publicação da área, acompanhar o noticiário na televisão e no rádio ou navegar pelas redes sociais para verificar o quanto a administração pública está recheada da expressão “sistema”:

  • Sistema de educação;

  • Sistema de economia;

  • Sistema tributário;

  • Sistema de trânsito;

  • Sistema de segurança;

  • Sistema de habitação;

  • Sistema de saúde;

  • Sistema eleitoral;

  • Sistema de justiça; etc.

Apesar disso ser uma realidade, muitas políticas públicas são concebidas e implementadas em suas áreas originais sem levar em conta o impacto que vão causar na sociedade como um todo. Uma ação pública, aparentemente sem importância pode gerar um impacto significativo quando visto numa perspectiva sistêmica. É um efeito dominó! Se o impacto for benéfico, ótimo. Mas e se não for?

 

O sistema está no cidadão ou o cidadão está no sistema?

Imagem: Arquivo Pessoal

 

Em muitas ocasiões o discurso é de que a administração é sistêmica, mas um olhar levemente apurado aponta o contrário. Na administração pública usual, um único cidadão é tratado como se fosse muitos. Por exemplo, o cidadão possui um registro geral para ser identificado, mas precisa de um outro cartão de identificação para o posto de saúde, um outro documento para ser identificado como condutor no trânsito, um outro número para ser identificado no sistema de arrecadação, um outro número para participar do sistema eleitoral e por aí vai… A necessidade de identificar o cidadão por sistema demonstra que o todo está desintegrado, não há comunicação entre os sistemas.

 

Imagem: Arquivo Pessoal

 

– Hummmmmm… então você quer dizer que se a administração pública unificar o cadastro dos cidadãos ela se tornará uma Administração Pública Sistêmica – APS?

– Claro que não, cara pálida! Mas pode ser um começo.

A APS olha para administração pública num horizonte além da burocracia que a envolve. Ela olha para a administração pública como um grande campo de relacionamento e colaboração humana envolvendo incontáveis sistemas inter-relacionados. Esse modo de olhar está baseado numa visão que amplia a perspectiva de cada questão pública.

O que é perspectiva?

Perspectiva é um lugar utilizado para perceber um evento, é uma posição perante a situação, é um ângulo do qual se observa a realidade. Ao defender uma perspectiva com alguém que discorda dela, surgem frases do tipo:

– Você não me entende. Você é isso. Você é aquilo. Você não me escuta.

Conflito

Um conflito ocorre quando uma parte discorda da existência de outras perspectivas, está fixada em sua posição sem se permitir ampliar o olhar. Dentro dessa lógica irracional, cada parte observa a realidade sempre pelo mesmo ponto-de-vista e não sai dele. Quanto mais tensa a situação, mais fortes são os argumentos para defender aquele ponto-de-vista, aumentando ainda mais o conflito.

Essa postura de defesa é explicada por Bert Hellinger através da Lei Natural do Pertencimento. Defender o próprio grupo é uma estratégia humana de sobrevivência. Em geral a família é o primeiro (e mais forte) sistema de um indivíduo. A família direcionará o comportamento do indivíduo, que será moldado por costumes, crenças e culturas que estabelecerão os limites entre aquilo que será permitido ou não. O indivíduo tenderá a crescer defendendo o SEU modo de viver. Não há nada de errado nisso.

Porém, quando o indivíduo cresce, passa a conviver com indivíduos que vieram de outros sistemas e que também defendem os SEUS modos. É nesse momento que a diversidade se apresenta com toda a sua grandeza. Ver o mundo pela perspectiva de UM sistema não é errado, mas é limitado.

Na administração pública o que mais se vê são conflitos causados por defesas de pertencimento:

  • O meu partido e o seu partido (observe que a palavra por si só já significa “parte”);

  • A minha ideologia e a sua ideologia;

  • Os meus interesses e os seus interesses, etc.

Visão sistêmica

Em uma administração usual os sistemas funcionam de forma desintegrada, por isso é necessário que o cidadão seja cadastrado em cada um deles. Se o cadastro não é integrado, como é possível compreender as necessidades sociais que envolvam mais de um sistema? A resposta é simples. Não é possível. Essa visão estreita não permite um planejamento adequado e as políticas públicas são desenvolvidas sem os subsídios necessários para permitir que funcionem. De modo diferente, a integração entre os sistemas permite que as soluções sejam encontradas de forma conjunta. Assim, um problema no sistema de saúde causado pelo aumento do número de casos da dengue num bairro pode ser minimizado (ou resolvido) através de uma ação em parceria com o sistema de educação que promoverá uma campanha de conscientização envolvendo estudantes e comunidade.

É a visão ampla que faz com que uma administração pública se torne APS. Uma administração pública é APS quando os agentes públicos trabalharem conscientemente para que:

  • Cada parte tenha seu lugar respeitado no todo da sociedade;

  • Os sistemas da administração pública estejam integrados;

  • As políticas públicas forem concebidas para servirem ao bem comum.

 

3 Leis Naturais na Administração Pública

As 3 Leis Naturais de Bert Hellinger podem ser aplicadas em qualquer ambiente onde existam relacionamentos humanos. A administração pública é um sistema rico em possibilidade de observação dos efeitos das leis sistêmicas no cotidiano da administração pública.

Pertencimento

A vida moderna e o crescimento populacional fez crescer também o número de sistemas existentes tornando os relacionamentos um pouco mais complexos. As pessoas pertencem a vários grupos e sistemas e alguns deles são virtuais. Basta dar uma olhadinha em suas redes sociais e verificar de quantos sistemas você faz parte. Participar de vários grupos gera um conflito de lealdades porque cada grupo possui seu regramento específico e algumas vezes o regramento de um grupo é contrário ao regramento de outro grupo. Vou dar um exemplo:

Imagine que um jovem pertença a um sistema familiar religioso e lá os homens se vestem com roupas formais, usam cabelos curtos, não podem fazer uso de bebida alcoólica e nem falar palavrões. Esse jovem vai estudar numa escola moderna e os rapazes da sua sala são de outras religiões (ou sem religião), alguns possuem tatuagens, cabelos compridos e usam brincos. Esse mesmo rapaz vai trabalhar numa empresa e lá, os homens jogam futebol às terças-feiras e o jogo é recheado de xingamentos por brincadeiras ou quando os ânimos esquentam. O jovem precisará se adaptar ao contexto de cada sistema caso queira permanecer nessa escola e nesse trabalho. O fato é que quando saímos de casa percebemos que o mundo é bem maior do que nossa casa e as possibilidades de encontrar pessoas muito diferentes de nós é muito grande. Algumas pessoas acabam buscando o conforto de frequentar grupos que tenham características semelhantes ao seu sistema de origem e não há nada de errado nisso. Porém, a vida fica mais limitada porque perde-se a oportunidade de conviver com as diferenças e aprender com elas. 

Há diferenças e semelhanças entre um sistema familiar e um sistema organizacional em relação ao pertencimento. Quando falamos em sistema familiar não há nada que altere o pertencimento de um indivíduo. Se ele pertence, pertence para sempre. Já nas organizações (e a administração pública é uma organização) o pertencimento existe enquanto houver o vínculo de trabalho. Para analisar o pertencimento precisamos saber qual é o sistema que está sendo olhado. Tudo vai depender de qual será a perspectiva de análise, pois podemos ver um único setor de trabalho como um sistema, uma prefeitura, tribunal ou câmara legislativa, ou até mesmo um município, estado ou país como um sistema. Relacionar quem pertence dependerá dessa perspectiva e é necessário destacar que todos possuem o mesmo direito de pertencer, independentemente do cargo que ocupa.

Na administração pública, a lei sistêmica mais atuante é o pertencimento. Um olhar levemente mais apurado aponta para as divergências provocadas por defesas de ideologias, partidos ou interesses de grupos. O discurso pode ser de inclusão e respeito, mas os efeitos denunciam os desajustes sistêmicos. A defesa excessiva do pertencimento faz com que um grupo queira administrar sem que o outro participe, numa clara demonstração de exclusão. Como se fosse possível anular a presença de uma parte do sistema sem provocar consequências dessas posturas para o todo. A necessidade de pertencer pode alimentar segregações por uma parte passar a se considerar melhor do que a outra: MEUS valores são mais importantes, MEU partido político é melhor, MEU projeto de governo é mais eficiente, MEU, MEU, MEU. 

Bert Hellinger declarou na pág. 169 do livro O Essencial é Simples que:

“O sistema não tolera que uma pessoa que lhe pertence não seja respeitada”.

Perguntas relevantes

  • Quem está excluído (pessoas) nesse sistema?

  • Quem foi importante (por dedicar-se a ajudar a construir algo) para o sistema em momento anterior e não é lembrado?

  • Alguém perdeu a vida a serviço desse sistema?

  • O que (comportamento, sentimento, ideologia) está excluído?

  • Quem pertence se sente parte do sistema ou está sempre se sentindo ameaçado?

  • O sistema da organização respeita o sistema de origem de seus membros?

  • Quando é necessário desligar um membro, com qual postura isso é feito?

Ordem

Num sistema familiar a ordem é estabelecida pela ordem de nascimento dos indivíduos. Num sistema organizacional, existem 3 tipos de ordem:

  • Ordem pela hierarquia das funções: Nessa ordem, em primeiro lugar estão as funções estratégias para a organização. Entende-se por função estratégica aquelas cujas responsabilidades demandam decisões sobre os rumos da organização. Todas as funções são importantes, mas em geral, as funções estratégicas são as melhor remuneradas. Na sequência vem as funções táticas que atuam de acordo com os direcionamentos estabelecidos pelas funções estratégicas. Após, vem as funções operacionais que dão suporte às funções de nível tático.No livro Ordens do Amor, pág. 40, Bert Hellinger afirma que:

    “Nas organizações, (…) existe também uma hierarquia por função e desempenho. Por exemplo, o departamento administrativo tem precedência sobre os demais, porque assegura os contratos externos”.

     

  • Ordem por tempo: A ordem por tempo no tempo de chegada na organização. Essa ordem vai variar de acordo com cada situação, entretanto, quando a postura é de respeito o sistema se ajusta de forma produtiva. Do contrário, quando as ordens são desvalorizadas, o sistema sofre com os desajustes.

Perceba o que Bert Hellinger descreveu no livro Ordens do Amor, pág. 40:

“Quando (…) um novo chefe, que antes (…) é colocado à frente dos demais, então, apesar de ser agora o chefe, ele ocupa a última posição (…). Deve pois, dirigir esse grupo como se fosse o último nessa hierarquia, e pode fazê-lo facilmente se entender sua função como prestação de um serviço ao grupo. O comando de quem ocupa a última posição é particularmente eficaz, desde que  tal chefe saiba como proceder. Aquele que dirige mantendo-se na posição de último ganha todos para si porque respeita a hierarquia”.

  • Ordem por origem entre os setores: De acordo com Bert Hellinger, às vezes existe uma hierarquia pela ordem de origem entre os departamentos e grupos.

Veja o exemplo dado por Bert Hellinger no livro Ordens do Amor, pág. 40-41:

“Quando numa clínica, por exemplo, é criado um novo departamento, ele ocupa uma posição inferior aos anteriores, a não ser que ganhe um novo significado, subordinando a si os departamentos preexistentes”.

Na administração pública a alternância de comando (para muitas organizações) ocorre periodicamente em virtude de eleições. Ainda que a organização não seja diretamente envolvida na troca de administração, pode ser influenciada indiretamente em razão de novas diretrizes políticas ou indicações de pessoas para funções específicas. Basta abrir os jornais e ler que recém-eleitos possuem o mal hábito de diminuir o trabalho de seus antecessores, principalmente quando cada um pertence a um grupo diferente. É comum ainda, observar um tratamento desrespeitoso por parte dos membros recém-chegados em relação aos membros que já estavam no sistema. Ainda que a ordem do recém-chegado seja maior em razão da hierarquia de função, desrespeitar a ordem por tempo pode não ser um bom negócio. Percebe-se que em muitas ocasiões o tratamento é cordial na superfície, mas a postura interna é inversamente contrária. Os seres humanos possuem uma espécie de radar interno que responde à postura interna e não ao tratamento cordial da superfície. Qual é o grau de comprometimento que se espera de alguém cujo lugar é diminuído ou desrespeitado? Essa é uma reflexão importante a se fazer.

Perguntas relevantes

  • Qual é a ordem orientada pelo objetivo da organização?

  • Qual é a ordem por função? Todas as funções existentes no sistema são necessárias ou algumas são dispensáveis?

  • Qual é a ordem por tempo?Como são tratadas as pessoas mais velhas?

  • Existe um padrão de desafio à hierarquia?

  • O sistema é composto por indivíduos considerados difíceis ou rebeldes?

  • O nível de julgamento e crítica é alto?

Equilíbrio

O equilíbrio é uma lei sensível e, ao tratá-la no contexto da administração pública é necessário ter um olhar bem atento. As organizações públicas são mantidas com dinheiro dos tributos pagos pelos contribuintes. Entretanto, o que mais se ouve são reclamações por parte dos contribuintes em razão de não terem retorno de seu dinheiro através dos serviços públicos de qualidade. As queixas pelas altas cobranças tributárias estão sempre na pauta das conversas sobre economia e política. De outro lado, os noticiários estão recheados de suspeitas e acusações de corrupção com o dinheiro público.

Bert Hellinger declarou na pág. 100 do livro Leis Sistêmicas na Assessoria Empresarial que:

“O dinheiro possui uma dimensão espiritual. Ele reage como se tivesse uma alma e um faro fino para a justiça e a injustiça”.

Perguntas relevantes

  • As trocas no sistema são equilibradas?

  • As remunerações são compatíveis com o trabalho entregue pela função?

  • Existem funções mantidas sem necessidade?

  • Quando alguém precisa ser desligado, recebe aquilo que lhe cabe?

  • Aqueles que mantém financeiramente o sistema recebem sua contrapartida de volta de forma equilibrada com sua contribuição?

Assim…

Considerando as questões apontadas até aqui, a compreensão das Leis Naturais de Bert Hellinger pode contribuir significativamente com os relacionamentos e com a melhoria da qualidade dos serviços na administração pública. Reconhecer a realidade e treinar a visão sistêmica para cada situação são os passos iniciais para mudar posturas e contextos. É possível! 

 

Imagem: Adobe Spark

Se eu fosse você

Imagem: Arquivo Pessoal

 

Quanto vale minha ideia (opinião/crítica/pensamento/julgamento) sobre a vida dos outros? Vale um emaranhamento. Uma ideia só tem valor se trouxer uma solução concreta. Se for algo que venha somar (MAIS), independente da “boa” intenção contida nela. Aposto que você sabe muito bem o nome do lugar que está cheio de boas intenções… pelo menos esse é um ditado popular conhecido.

E por sua vez, uma solução só tem valor se for utilizada para resolver um “problema”. Aí eu pergunto: do que adianta eu identificar um problema na vida dos outros sendo que o dono da questão não enxerga como eu ou não está interessado em modificar o próprio comportamento? Em se tratando de comportamento, é melhor usarmos nosso tempo tendo ideias (e as implementando) em nossa própria vida. Deixemos que os outros decidam por si mesmos. Em geral, sentamos sobre nossas facilidades e apontamos o dedo para as dificuldades alheias.

Demorei muito tempo para compreender o desrespeito contido num “Se eu fosse você”. Todas as vezes que digo “se eu fosse você” estou invadindo o espaço do outro, tirando dele um pouco de sua dignidade, desrespeitando-o. Ter uma opinião, julgar, censurar, criticar ou me portar como se eu fosse capaz de fazer melhor é um passo largo e firme para o insucesso. É como se a alma cobrasse caro pela postura inadequada. Esse é um comportamento insano porque o meu contexto de vida é completamente diferente do contexto de vida do outro. Agora imagina esse comportamento dentro de um sistema familiar…

Viver no mundinho do certo x errado, bom x mau, melhor x pior, bonito x feio, normal x esquisito e toda forma de dualidade, é muito estreito, pequeno, apertado. Bert Hellinger nos provoca no livro Um Lugar para os Excluídos, pág. 110:

A cegueira da consciência moral é a causa dos enredamentos.

Quando comecei a aprender sobre a filosofia sistêmica me veio uma imagem de “Se eu fosse você”, nela estou sentada sobre minhas facilidades apontando o dedo para os outros, com suas dificuldades. Vale destacar que a maioria esmagadora das facilidades que tenho não são por mérito próprio. Vou explicar melhor… Nasci porque meu pai chegou de viagem, minha mãe ficou feliz e eles resolveram comemorar relaxando um pouco. Como minha mãe estava entrando na menopausa, seria um momento de diversão e pronto. Só que não. Para minha sorte, estou aqui. Cresci com segurança, bem alimentada e estudei porque meus pais, irmãos e irmãs deram um duro danado pelo bem do nosso grupo. Gosto de ler porque sempre vi o papai lendo livrinhos de faroeste e se divertindo muito com eles. Dizem que sou atenciosa e vejo o quanto isso é da mamãe e eu só repito. Quando chego pontualmente a um compromisso sinto a presença dos meus pais nesse comportamento. Se me alegro pela oportunidade de viajar percebo o quanto sou parecida com os dois, que não recusavam uma viagem. Quando curto ficar em casa  tem a digital dos meus pais, duas pessoas sociáveis e que adoram ficar em casa (paradoxal, mas é assim… rsrsrsrs). Todos os elogios que porventura eu receba tem um link imediato com alguém do meu clã.

Sou o meu povo e criticá-lo é desfazer de mim mesma, me enfraquece e me desconecta da vida. Só estou aqui porque foi exatamente como deveria ter sido. Sou quem sou porque pertenço a esse grupo. Qualquer alteração mínima, mudaria grandemente aspectos que considero importante. Quando iniciei os estudos presenciais no IDESV, tinha me inscrito meio no impulso. Sentei perto da porta para que não chamasse a atenção caso eu resolvesse ir embora. Havia um grupo de mais de 40 pessoas (que depois se transformou em mais de 60) e nas apresentações iniciais me senti estranha, sem saber o que eu estava fazendo lá. Muitos colegas estavam movidos por suas profissões e eu estava lá por mim, meio sem convicção de que funcionaria, mas era isso. Externamente minha vida sempre foi boa e eu reconhecia isso, mas algo internamente estava pesado. Constantemente eu me sentia perdida e me questionava quem eu era no meio daquela vida.

Qual é a pergunta?

No IDESV aprendi muitas coisas e uma delas é sobre o valor de fazer as perguntas adequadas. Há tempos ficava inquieta com uma pergunta filosófica “quem eu sou?”, uma pergunta mais ligada ao pertencimento, entretanto, a lei sistêmica que eu mais transgredia era a ordem (diminuiu, mas ainda é assim). Então, a pergunta mais adequada neste caso seria “onde estou?”. Perceber dessa maneira virou uma chave interna que mudou muitas coisas. Eu posso saber que sou a Mara, filha do Paulo e da Zélia, e estar perdida no centro de uma grande cidade sem saber qual caminho eu devo seguir. Como a vida é sistêmica, a transformação em um aspecto vai reverberando em vários outros aspectos.

“Humilde é aquele que permanece dentro de seus limites”.

(Pensamento Sobre Deus, pág. 104, Editora Atman)

Olhando um pouco para trás

Tive a sorte de conhecer a Constelação Familiar através de gente do IDESV. Pensar em Décio&Wilma me traz um carinho enorme que expande o coração. São pessoas que me despertam a vontade de dar um abraço bem apertado. Gente que eu admiro, respeito e tenho carinho. O ambiente preparado por eles é sempre de acolhimento e cuidado. Para quem não sabe, lá tem a Sandra Helena e o abraço dela é grande e super bom. Eu brinco que a escala de abraço vai de 0 à #Sandrelena.

Ainda estou no IDESV (e não pretendo sair) e através deles achei o caminho de volta para mim. Ao voltar a me conectar com meus pais e com meu sistema pude ocupar meu lugar na ordem. O lugar sempre esteve lá, eu que o deixava constantemente vazio e carregava o vazio em mim. Sair do lugar me custou caro e uma parte disso não poderá ser recuperada, entretanto, é assim. Faz parte. Eu não conseguia ver, então dizer “Se eu eu fosse você” para mim mesma não vai alterar o que passou e ainda me fará perder as coisas boas que estão acontecendo agora. Estou preparada para fazer muito MAIS na VIDA!!!